Alex Vilhena e Thiago Garuti, cofundadores da Malga, têm muitas coisas em comum, além da empresa que co-fundaram: os dois surfam, lutam jiu-jitsu, viraram pais recentes e conseguem encaixar, como ninguém, a rotina entre São Paulo e Rio de Janeiro.
Este artigo conta como eles orquestram tudo isso e desenvolvem na base da disciplina, uma empresa espetacular.
Duas sessões antes de começar
Há alguns anos, em um dia comum no Rio, Alex e Thiago entravam na água (ou no tatame) antes de a rotina da empresa começar. Quando saíam, o celular já tinha mensagens de clientes e de parceiros.
Era o começo da Plug Pagamentos (antigo nome da Malga), fintech que virou meu anti portfólio durante a pandemia do covid. Eu não pude investir à época porque ainda estava à frente da Vindi. Doeu um pouco.
Alex Vilhena, CEO, nasceu no Rio de Janeiro e foi estudar em Los Angeles, onde teve o primeiro contato com as startups americanas. Entre seus trabalhos anteriores estão o programa de fidelidade do Santander e uma temporada na Europa na Braintree (PayPal).
Thiago Garuti, COO, também é carioca. Antes da Malga, foi fundador da Medicinae, empresa de tecnologia que antecipava recebíveis de cartão, e já tinha experiência em integrar provedores de pagamento.


O mercado da Malga
Os dois fundaram a empresa em abril de 2020 com Marcel Nicolay, no começo da pandemia. A ideia era permitir que uma empresa se conectasse a vários provedores de pagamento com uma única integração. Em 2021, a “Plug” entrou na Y Combinator e levantou US$ 2,7 milhões em uma rodada seed, liderada pela Costanoa.
Nesse meio tempo o Alex decidiu se mudar para São Paulo e a empresa passou a se chamar Malga.
O setor de pagamentos no Brasil nunca foi fácil para quem chega. Até 2010, duas empresas, a VisaNet (hoje Cielo) e a RedeCard (hoje Rede), concentravam 76% dos estabelecimentos. A abertura do mercado trouxe novos adquirentes, como Getnet, Stone e PagSeguro, e depois o Pix e as carteiras digitais mas a concorrência nesse mercado (que conheço bem) ainda vem dos grandes bancos e das empresas tradicionais. O que vira uma oportunidade grande para inovar e um bom desafio a se combater: a maioria das empresas do setor é ultracapitalizada.
Transações perdidas, negadas e desprezadas
A Malga tem uma espécie de fixação por estudar uma transação perdida. É essa cultura que me faz admirar toda a tecnologia que desenvolvem. No mercado online, transações perdidas ainda são, em 2026, uma caixa preta. E custa muito aos grandes e-commerces.
Ninguém conhece isso mais do que a Malga. É quase uma literatura na empresa: entender as transações e porque elas são aprovadas (ou não).
O resultado aparece nos números, que obviamente não vou citar aqui. Algumas das marcas líderes de seus setores confiam na Malga, algo muito valioso: coletar vendas de forma inteligente e com segurança. Você provavelmente não sabe, mas já deve ter colocado seu cartão de crédito em algum site famoso, que tem a Malga por trás. Na infraestrutura.


Em dezembro de 2024, a Malga comprou a Drip, uma startup de Pix parcelado e, em fevereiro de 2025, captou R$ 32 milhões em Série A, liderada pelo iDEXO, braço de venture da Totvs, e pela Costanoa.
Os filhos chegaram
Recentemente, Alex e Thiago se tornaram pais. Um deles acompanha hoje as descobertas de uma criança de um ano e quatro meses. O outro tem um bebê que ainda não completou o primeiro ano de vida.
A rotina de uma empresa que triplica o volume de pagamentos em um ano e a de uma casa com crianças pequenas têm algo em comum: não aliviam. Reuniões de investidores, clientes, desenvolver tecnologia e cerimônias com mamadeiras acontecem tudo num mesmo dia.
Eles conseguem isso de uma forma exemplar, amparando suas rotinas no jiu-jitsu e no surf. Os dois são de fato, dois atletas destemidos, assim como pais e empreendedores. Admiro muito.
O que o esporte devolve
Não dá para medir quanto o esporte contribui para o resultado de uma empresa. Mas dá para ver o que ele coloca na rotina de Alex e Thiago: um componente especial. Particularmente, eu gosto muito de fundadores que mantêm o esporte rigorosamente em suas rotinas.
“O que diferencia um atleta de outro é aquela mentalidade de treinar naquele dia que você está mal, com dor, indisposto, cansado ou com mais preguiça, isso muda tudo”. - Thiago Garuti
Assim como na vida.
Em 2025, fui convidado para ser conselheiro da empresa, o que me enche de orgulho. Simplesmente por fazer parte de uma das empresas mais focadas que conheço e que vem a cada dia, mudando a forma como empresas vendem online.
Não é coincidência também, que comecei a treinar mais.




